Raquel Rodrigues

Eu sou empreendedora, curiosa, criativa, escritora, palestrante, facilitadora e networker
por vocação.

Quase me afoguei em emoções

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Por não ter consciência

“Oi! Tudo bem?” Recebemos esse cumprimento de quem já está desviando o olhar e respondemos da mesma forma, sem nos desviarmos do nosso caminho.

Fazemos por educação. Na verdade, não queremos saber nem correr o risco de a pessoa parar para explicar como sua vida anda difícil. Aquela piada pronta, quem nunca?

E se não queremos ouvir o outro, será que queremos ouvir a nós mesmos? Será que lá no fundo está tudo bem? Ou preferimos tapar os ouvidos para não escutar os gritos que vêm de dentro? Afinal, lidar com nossas emoções, sentimentos, expectativas e culpas não é assim algo tão gostoso, embora traga muitos benefícios. Quem quer mexer nisso quando a zona de conforto é quentinha e garante a sobrevivência?

É importante continuar respirando

Para mim foi como voltar à superfície depois de quase me afogar. Você se debate, busca o ar, sente dor, tem pensamentos pequenos sobre tudo enquanto arrependimentos, frustrações e desejos vêm à tona, descobre que não sabia nada de si ou de coisa alguma. Amedronta.

E ao irromper a água e respirar fundo, a única certeza é a de querer viver, com mais amor, equilíbrio, conquistas, alegria e satisfação. E ao continuar respirando enquanto volta para um lugar seguro, aquele que existe em nós, percebe que é possível escolher sentir cada emoção, se autodominar e agir com tranquilidade, sem sufocar perante os desafios da vida. Acalma.

A autoconsciência é o primeiro pilar da Inteligência Emocional e, a partir dela, passamos a nos autoaceitar e autorresponsabilizar. Viemos ao mundo para aprender e evoluir, não para nos martirizar. Algum sofrimento faz parte da jornada, pois nos torna mais fortes e maduros.

Preparando o mergulho

Compartilho cinco perguntas que ajudam nesse mergulho para dentro de si:

  1. O que meus sentidos me dizem? Seus sentidos são elos com o que acontece à sua volta. Visão, audição, olfato, paladar e tato fornecem informações preciosas. Procure identificar o máximo de observações, sons, odores, gostos e sensações no corpo. Você pode fazer isso durante uma caminhada ou reunião.
  2. Como estou agindo? A gente costuma saber o que faz: abrir os olhos, levantar da cama, tomar banho, comer, ir para o trabalho, nos relacionar. Aqui é no detalhe da ação, de como você se porta e se expressa até sua linguagem corporal e intensidade de gestos e falas.
  3. O que estou sentindo? As emoções são reações físicas perante um evento. Se brigamos sentimos raiva, ficamos de cabeça quente e o coração dispara. Se curtimos bons momentos sentimos alegria, nosso corpo se energiza e sorrimos. Sentir pode doer, mas nos traz alertas de padrões que podemos mudar para ter uma vida melhor. Busque perceber o que te irrita e o motivo, bem como o que te satisfaz e o porquê.
  4. O que eu quero? A curto, médio e longo prazo, que tem a ver exclusivamente com você ou envolva outras pessoas, quais conhecimentos e recursos são necessários. Seja verdadeiro ao entender para que você quer o que quer, sem levar em conta opiniões alheias. “No fundo, você quer apenas mudar a maneira de como você se sente”, esclarece Tony Robbins. Pense nisso.
  5. Que avaliações estou fazendo? Esse questionamento se refere a como você vê o mundo, as pessoas e a si mesmo. Cada avaliação é influenciada pelas suas crenças, impressões, interpretações, expectativas, educação, experiências e valores, e leva a pensamentos positivos ou negativos acerca de algo. Estando consciente desse processo é possível promover adequações importantes e, consequentemente, melhores intenções, sentimentos, ações e sensações.

Outro dia estava na casa de uma amiga quando o namorado dela ligou. Ao comentar minha presença ele disse “manda um tudo bem pra ela!”. A justificativa foi que iria perguntar, eu ia dizer que sim e retribuir a pergunta para fechar o ciclo. Achei engraçado, a intenção foi boa.

Até porque, agora, comigo está tudo ótimo.
E com você?