Raquel Rodrigues

Eu sou empreendedora, curiosa, criativa, escritora, palestrante, facilitadora e networker
por vocação.

Minhas 5 dicas práticas para você falir seu negócio

minhas 5 dicas práticas para você falir seu negócio

Testadas e comprovadas por mim,
são bem práticas mesmo!

Você já deve ter ouvido que empreender é para os fortes. E uma das grandes provas de fogo em relação ao seu espírito empreendedor é a falência. Claro que saber lidar com o sucesso e continuar crescendo é importante, mas a falência te joga para um outro patamar. Por isso, quero compartilhar minhas 5 dicas práticas para você falir seu negócio.

Antes, apresento os principais mitos e verdades sobre abrir um negócio publicados pelo Sebrae-SP no Panorama das MPEs Paulistas 2015, a partir da pesquisa “O céu e o inferno do empreendedorismo”, que ouviu 1.080 empreendedores em 2014.

40% acreditavam que viveriam correndo atrás do dinheiro…

                                                                                                       …depois de abrir, subiu para 62%

41% acreditavam que poderiam tirar férias quando quisessem…

                                                                                                               …depois de abrir, baixou para 23%

57% acreditavam que teriam mais tempo para se dedicar à família e amigos…

                                                                                                                                        …depois de abrir, baixou para 43%

26% acreditavam que se sentiriam sozinhos, sem ter com quem compartilhar…

                                                                                                                                         …depois de abrir, subiu para 37%

25% acreditavam que trabalhariam menos como dono de seu negócio…

                                                                                                                             …depois de abrir, baixou para 15%

Daí, fica bem fácil começar a entender porque, das cerca de 150 mil empresas abertas por ano no Estado de São Paulo, duas de cada dez fecham antes de completarem dois anos de atividade.

Ficou na dúvida? Acompanhe minhas dicas:

1. Planeje sem planejar

Nós fazíamos reuniões semestrais de balanço e semanais de alinhamento. Eram apenas conversas, que misturavam um sentimento de otimismo com a atitude de deixar como está para ver como é que fica. Ficaram as dívidas e a amizade depois que cada um foi para seu lado.

Porque todos os consultores e especialistas dizem para planejar, nós planejamos. Só que não. Nem planejamento de metas, muito menos de ações e financeiro. A nosso favor tínhamos qualidade criativa e atendimento de alto nível, uma excelente rede de relacionamentos e muitos fãs, que garantiam boas indicações de trabalho e nos apegamos a isso.

Não foi suficiente. No fundo, por falta de conhecimento nossa postura era reativa ao mercado, perdemos alguns clientes, desperdiçamos recursos e fizemos escolhas ruins. Até que ficou insustentável.

2. Acompanhe sem acompanhar

Quando a gente acha que planeja, também acha que acompanha. Nos perdíamos tranquilamente na operação porque estávamos com a cabeça ocupada o tempo todo.

Como trabalhávamos bastante, era falsa a impressão de que tudo corria bem e estava sob controle. Entre um pedido e uma entrega, vivíamos em constante competição de triatlo. E nos alegrava sairmos vitoriosos com a medalha de ouro em forma de satisfação do cliente e colecionamos cases de sucesso.

Não foi suficiente. Corpos e mentes davam sinal de cansaço, enquanto íamos da euforia à desmotivação.

3. Foque sem focar

Com as dificuldades veio a insatisfação e concluímos que precisávamos ter foco. Sem dinheiro para investir, foi um exercício desafiador enquanto cada um acumulava pelo menos três funções meramente operacionais.

Imagine focar enquanto atende telefone, paga conta, aprova proposta, gerencia equipe e compra papel higiênico. Assoviar e chupar cana é moleza enquanto esquecer tarefas e se atrapalhar ao priorizar se tornam rotina. Assim como crianças e bêbados, o anjo da guarda dos empreendedores nos amparava e conseguíamos cumprir a agenda.

Não foi suficiente. Em um primeiro momento, dar conta de assuntos diferentes ao mesmo tempo traz uma sensação
de competência. Com o tempo, a conta é que não fechava.

4. Comunique-se sem comunicar

Surtei, confesso. Mal-humorada, chata, irritada, autoritária, dona da verdade, controladora. Nem eu queria ficar perto
de mim
, me tornei o exemplo de como não agir.

A falta de comunicação é um agente desagregador por natureza. Passamos a viver de achismos. Eu achando que ninguém era bom suficiente e cobrando cada vez mais, a equipe achando que era melhor não me contrariar e se esforçando cada vez menos. Complicamos o que era para ser simples, amplificamos o desgaste ao invés de nos divertirmos. Para nossa ‘sorte’, o que nos parecia pouco enchia os olhos dos clientes.

Não foi suficiente. Os frequentes mal-entendidos geravam retrabalho e cronogramas malucos para manter prazos.
Entre um bom dia e um bom descanso não havia mais um bom relacionamento.

5. Continue sem parar

Voltar três casas e ficar uma rodada sem jogar não era opção. Resistimos o quanto pudemos às mudanças necessárias e foi impossível anotar a placa do caminhão que atropelou nossos sonhos e levou nossa autoestima para a UTI.

Isso foi suficiente. Perdidos no que poderia ser uma estratégia de sobrevivência, perdemos a empresa. Acreditamos que para ter nosso próprio negócio basta entendermos do produto ou serviço que queremos oferecer, ter clientes e amor pelo que fazemos.

Foi mesmo o fim?

Sim. Ainda bem! E marcou um recomeço também.

As pesquisadoras americanas Francine Lafontaine e Kathryn Shaw queriam entender se os empreendedores em série, aqueles que abrem vários negócios, eram mais propensos ao sucesso e qual o motivo. Para obter essas respostas, acompanharam as atividades de 2,3 milhões de pequenas empresas de varejo do estado do Texas, em um período de
21 anos (1990 a 2011), e descobriram que a experiência adquirida com um negócio fechado agrega competências gerais que são úteis em uma nova gestão e possibilita o aumento da longevidade do negócio seguinte.

Talvez a gente erre mais que acerte. Eu agradeço todos os dias pela oportunidade de aprender, por poder fazer esse exercício de olhar o passado, aceitar que o que fiz está feito e ter uma nova chance.

Hoje, estou feliz com o rumo da minha empresa e dos meus projetos. Simplifiquei minha forma de planejar, acompanho bem de perto, foco no que é importante, comunico a todos envolvidos e mudo o que precisar para alcançar meus objetivos sem abalar a paz que trago em meu coração.

Se você estiver no meio de uma turbulência, lembre-se que conhecimento e apoio são acessíveis para quem realmente busca por alternativas.

Empreender é para os fortes e exige equilíbrio físico, mental, emocional e espiritual. Seja bem-vinda, seja bem-vindo
e boa sorte!

“Fracassar é, antes de qualquer coisa, aceitar suas limitações. É um voto de autoconhecimento.”
Murilo Gun (fechou cinco empresas)